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sexta-feira, 26 de agosto de 2011

O último pensamento de Maria

Às vezes me pego a imaginar qual terá sido o seu último pensamento Maria. Imagino que naquela madrugada, às portas da morte, você pensou em mim.
Pensou nos tempos em que eu era apenas um bebê, o único que você gerou. Nas fraldas, mamadeiras, na cabeça do lado esquerdo do seu peito, os sapatinhos de crochê, o berço, aquelas colônias e talcos que perfumavam o ambiente e nas primeiras palavras ditas de cima da cadeirinha entre uma “papinha” e outra.
Pensou nas coisas que aprontei quando criança. Lembrou-se dos jogos de futebol na rua quando gritava desesperadamente: 
- Vêm almoçar! Agora!
Deu um leve sorriso ao lembrar no barro que jogava na parede branca do vizinho, nas pedras arremessadas contra o vidro da janela, em tantas travessuras que aprontei, mas você, desde que posso lembrar, me deu a liberdade para escolher e pagar o preço por essas escolhas.
Deve ter lembrado quando eu era uma adolescente rebelde. Nos pôsteres e revistas do Leonardo DiCaprio espalhadas pela casa, nas modinhas, febres e manias, as conversas sobre sexo, drogas e o boletim da escola. Nessa época você tentou controlar um pouco as ações dessa indomada, mas quem mandou dar liberdade na infância?
Finalmente ao chegar à idade adulta nos distanciamos. Mas mesmo assim imagino que seus últimos pensamentos foram sobre a vida que compartilhamos, as emoções que sentimos...
E a última lembrança, aquela imagem antes do suspiro final, foi do meu rosto em suas mãos dizendo:
- Eu te amo!

Por Danielle Meniche Cruz

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