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quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Eu não tenho culpa!!!

15:20 By Vanessa Fagundes (vanessafagundesadv@gmail.com) , , No comments

Estou eu aqui de novo me culpando... desta vez é por dormir um pouco no feriado, enquanto poderia estar fazendo qualquer outra coisa! É o mal moderno de querer aproveitar o tempo ao máximo, como se fôssemos morrer amanhã... ok, pode ser que aconteça mesmo, mas aproveitar também não é relaxar? Lembrei de um texto que escrevi ha pouco tempo no blog...


Acho que todos nós em algum nível nos culpamos por sermos diferentes. Afinal, não existe ninguém igual e o problema é que década após década cria-se na sociedade um conceito do que seja “normal” ou “ser igual, pertencer ao grupo”. Nos anos 40, 50 o normal para a mulher era ser dona de casa e cozinheira, qualquer atitude ou vontade além disso (como as hiperativas oprimidas que adorariam raciocinar um pouco mais), era visto como anormal. Para o homem, o normal era trabalhar todos os dias, até o sol se pôr, buscando colocar comida na mesa, pois essa era sua função.


Nas décadas de 60, 70 a mulherada liberou geral, conseqüência de décadas de “pudorismo” exagerado e passou a ser normal a mulher ficar na rua, seja buscando trabalho (naquela época ainda era difícil achar um), seja conversando com as amigas sobre pílula anticoncepcional ou sexo mesmo. Para o homem se tornou normal gostar de bandas de rock e criticar as meninas que gostavam.


Nas décadas de 80, 90 já era normal a mulher trabalhar fora de casa, tomar pílula e pintar o cabelo. Para o homem começou a ser normal ficar dentro de casa, jogando vídeo game e fazendo seu próprio lanchinho na cozinha. Após o ano de 2000 o “normal” foi mais flexibilizado, talvez pelo temor que o novo milênio impingiu com histórias de bug, fim do mundo e etc., as pessoas começaram a olhar pro próprio umbigo e se perguntar “eu estou feliz com a minha vida?” “E se tudo acabar amanhã, eu fiz tudo que queria?” Então, desencanaram de ditar regras de comportamento alheio e passaram a fazer e agir como queriam.


As mulheres que gostam de ser donas de casa, simplesmente pararam de trabalhar movidas pelo ideal da revolução feminista e voltaram a criar os filhos; as mulheres que gostam de trabalhar, se empenharam mais em suas carreiras, sem se preocupar em serem boas mães ou donas de casa exemplares; os homens que nunca gostaram de suar a camisa, viraram intelectuais ou não viraram nada, enfim, quem quer tomar antidepressivo toma, quem quer trocar de sexo troca, quem quer fazer protesto na rua mostrando os peitos faz, quem quer se achar muito inteligente protestando, via Internet, com a bunda na cadeira, protesta... a vida ficou mais fácil de um modo geral, MASS... e sempre tem um MAS... a culpa tinha que surgir...


Começamos a nos culpar por trabalhar e deixar os filhos sozinhos em casa; nos culpamos por não termos tempo ou vontade de TER os filhos; nos culpamos por ficar em casa cuidando dos filhos enquanto poderíamos ajudar o marido no sustento da casa; nos culpamos por não termos um marido; nos culpamos por tomar remédios demais; nos culpamos por sermos confusos em relação ao que queremos, afinal, são tantas opções; nos culpamos por gostarmos de ver tv enquanto deveríamos estar estudando; nos culpamos por estudar demais enquanto deveríamos estar vivendo; nos culpamos por sermos ansiosos e querermos de tudo um pouco, enquanto a bíblia e Osho dizem para eliminarmos a ganância (rs); nos culpamos por estarmos satisfeitos com o que temos, pois todos dizem que devemos sonhar mais alto... nos culpamos, nos culpamos... o pior é que quando somos os responsáveis por apontar o dedo pra nós mesmos, fica mais difícil nos fazer de vitimas perante o vizinho ou a sociedade e seus padrões de normalidade...


Acho que afinal, tudo era mais fácil quando tínhamos a sociedade para culpar por nossas limitações... e talvez elas simplesmente estiveram sempre ali, dentro de nós... e continuamos nos culpando por não sermos perfeitos...


Postado por Vanessa Fagundes


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