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segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Imitação incosciente

11:58 By Vanessa Fagundes (vanessafagundesadv@gmail.com) , , No comments


Acho engraçado, às vezes funesto, como os filhos adquirem trejeitos dos pais.
Obviamente a educação passada pelos pais será o direcionamento da vida do filho. Ele vai se interessar pela leitura se desde pequeno sua mãe lhe fornece histórias em quadrinho e livros para que o gosto se enraíze. Ele vai se interessar por música clássica se desde pequeno os pais o acostumam a dormir ouvindo Mozart.
 Claro que isso tudo são perspectivas e probabilidades (grandes), mas caso a inserção destes elementos ocorra de maneira traumática, então, provavelmente o filho terá aversão a esses tópicos (exemplo do filho que tem sono leve e não pode dormir ouvindo música porque acorda o tempo todo, vai pegar raiva da música que estiver atrapalhando seu sono). Mas o que estou falando aqui não é sobre educação e sim sobre imitação inconsciente.
A reprodução de gestos, pensamentos, gírias, crenças que acontece de filhos em relação aos pais, sem que isso seja inserido propositadamente em sua instrução.
Ontem estava caminhando pela rua e percebi uma família, vindo em minha direção. Eram dois filhos entre 8-10 anos, acompanhando os pais que discutiam para que todos ouvissem. Sabe aqueles casais da idade da pedra, sem cultura alguma e que quando passam perto de outras pessoas, aumentam o tom de voz e começam a falar direcionando a conversa pra você? Exemplo: o casal discutia sobre algo que desconheço e honestamente não me importa minimamente, mas quando perceberam que eu passaria do lado, o homem aumentou a voz e disse “eu nunca xinguei você em público, agora eu vou fazer hein?”, daí ela responde “a gente não discute em público, né..se quiser xingar, xinga” Cristo!!! Se o casal de antas de fato não quisesse que o PÚBLICO ouvisse sua discussão, não faria no meio da rua e muito menos aumentaria a voz ao passar do meu lado. A baixaria foi coordenada de modo a tornar-se pública. São os 15 minutos de fama dos incultos.
O mesmo ocorre quando a mãe fica constrangida de ver o filho berrando na frente dos outros e começa a olhar pra você (que por infelicidade do destino está no mesmo ambiente, mas desejaria estar em qualquer outro lugar) e fala “filho, mamãe não te criou assim, a moça tá olhando” A verdade é que ela disse isso pra você e não pro filho dela. Ela quer que você saiba que embora esteja presenciando aquela cena patética, ela educou o filho. O que me interessa?? O resultado eu estou vendo, não preciso de explicações.
Voltando ao assunto, enquanto o casal fazia seu showzinho pra mim (espectadora nem um pouco interessada), o filho mais velho dava risada e falava no mesmo tom de voz que o pai ( para que eu escutasse) corroborando todo o papelão.
Alguém duvida que o moleque vai fazer a mesma coisa com a futura esposa?
Outro exemplo são os filhos de evangélicos que aos 10, 12 anos já estão repetindo palavras como “misericórdia, glorificar, despertai, resgata-me ó Pai!”, dizeres que sequer sabem o significado e nunca integrariam o linguajar de uma criança nos dias de hoje, mas repetem porque os pais repetem.
Se duvida, pede pra um menino de 11 anos explicar o que é “glorificar” e depois voltamos a conversar.
Existem exemplos felizes, claro, como o adolescente que se inscreve no grupo de teatro da escola porque os pais sempre vão assistir a peças no final de semana. Ou então da garota que está sempre cheirosa e de banho tomado porque a mãe costuma estar assim também.
São coisas que não dependem de repasse proposital, mas penetram na alma somente pela observação, ocasionando a repetição inconsciente.
Todos sabemos que não devemos dar mau exemplo, mas os pais deveriam estar mais cientes disso que qualquer outra pessoa. O potencial de fixar-se no inconsciente do filho é maior que qualquer outro exemplo ou comportamento que ele possa observar fora do âmbito familiar.
A responsabilidade é enorme, MAS o filho também pode conscientizar-se de estar simplesmente repetindo um padrão e modificá-lo caso não seja benéfico. O difícil é ter o discernimento para descobrir se você é um papagaio (que só repete o que presenciou, sem saber o motivo) ou não.
BOA SORTE!

Por Vanessa Fagundes http://vanessa-fagundes.zip.net

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