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segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Ixi, Deu Branco

Nada como sair para dar um passeio, espairecer, ver gente...
Aí você aproveita e toma um delicioso sorvete ou submete-se a um capricho culinário qualquer, afinal, depois você compensa com mais horas na esteira, ou prolongando o tempo de caminhada mas... em relação a memória, ou você reza, ou sai desesperado comprando tudo quanto é revista de palavras cruzadas, ou ainda, complexos exercícios de raciocínio lógico - e nem é para treinar para concurso público - e tudo, no intuito de exercitar aquela memória que já não é nenhuma Brastemp.
 Você se angustia dividido entre pensar que está envelhecendo, ou que precisa desligar a TV ou a internet e ler mais, ou apenas que é vítima da pressão exarcebada da sociedade de informação onde a máxima quantidade não é sinônimo de qualidade vigora; mas o fato é que cada vez mais sua memória lhe prega peças e lhe causa constrangimento. Como na situação constrangedora na qual você está a degustar um apetitoso pastel em companhia de sua avó e de repente, sente alguém a lhe cutucar o ombro. Você visualiza uma pessoa e surpresa pensa: "Ixi, ela me confundiu com alguém? Quem é essa?"

Entretanto, antes de sequer pensar numa resposta, a pessoa se aproxima ainda mais e lhe dá o famoso cumprimento dos beijinhos nas bochechas...
Eita! Você pensa enquanto se desespera: "Isso é sinal de intimidade... Droga, quem é essa pessoa? Ixi, conhecer eu até conheço, esse rosto não me é estranho..."
E você fica lá, tentando se lembrar ao mesmo tempo em que se preocupa se a pessoa vai notar sua confusão; Tudo isso em fração de segundos.... que mais parecem uma eternidade de sufoco e constrangimento...

Em seguida, vêm as perguntas de sua avó acerca da pessoa que a cumprimentou e de onde vocês se conhecem... A única coisa que a sua memória te traz a tona, é uma crônica cujo autor, você acha, talvez seja o Luís Fernando Veríssimo, ou será outro?; onde um rapaz cumprimenta outro que não sabe com quem fala, todavia disfarça o fato, e, conversa vai, conversa vem, no final descobre que ele não havia perdido a memória, a pessoa que o cumprimentou o confundiu e completos estranhos conversaram como dois grandes amigos dos velhos tempos que se reencontraram anos depois...

Constrangida, envergonhada e inconscientemente até com uma certa culpa, você só tem como responder a sua avó:

- Ixi, Deu Branco! Não lembro de jeito nenhum quem é aquela pessoa, mas o rosto não me é estranho...

E só lhe resta resignar-se com sua memória falha e/ou optar por uma das alternativas para exercitá-la... Ou isso, ou esperar pelo próximo "branco" deveras constrangedor!

Por Lílian Soares
Publicado anteriormente em: http://lilly-contos-encantos.blogspot.com/

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