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domingo, 4 de setembro de 2011

O principe nem tão encantado

18:58 By Vanessa Fagundes (vanessafagundesadv@gmail.com) , No comments

Escolhi este artigo para minha estréia como colunista do FolhaNewsletter por tratar de um assunto que adoro falar – relacionamentos!

Escrevi originalmente no meu blog e agora compartilho com os queridos leitores que aqui me acompanharão!

Então vamos lá...

Já faz um tempo que uma idéia vem percorrendo as entranhas do meu cérebro. No começo foi só uma desconfiança, depois a suspeita começou a tomar forma e finalmente, a coisa toda ficou mais clara que a neve. Uma descoberta que talvez pareça absurda à primeira vista, mas essa reação é facilmente explicável. A descoberta? Ah, é só que as mulheres não querem o príncipe encantado. Nunca quiseram.

As mulheres querem o inverso do mocinho. As mulheres querem o bandido, o mauzinho que arrasa corações! Eu tenho a impressão que algumas pessoas já sabiam disso ao longo da história, aliás, estava na cara...

James Dean e sua rebeldia sem causa, o cabelo desarrumado que emanava o ar de “não estou nem aí para o que você pensa”; Elvis e seu rebolado que desafiava os bons costumes e arrancava gritos histéricos de mocinhas entorpecidas; a dama e sua paixão incondicional pelo vagabundo e falando mais recentemente, podemos citar Wolverine, talvez o exemplo mais evidente da preferência feminina pelos desarrumados, mal humorados, com a barba por fazer, eventualmente grosseiros, mas incrivelmente sensuais e apetitosos.

O pobrezinho do príncipe encantado não tem a mínima chance. Tenho desenvolvido a firme convicção de que ele ainda existe só porque o conto de fadas está muito arraigado em nossa criação, mas só por isso. As menininhas cresceram ouvindo e assistindo histórias sobre o príncipe que viria no cavalo branco para salvá-las de todo o mal e que as faria felizes para sempre. O problema é que o “para sempre” nunca foi contado.

Nunca se pensou como seria a convivência diária com o tal príncipe. Um moço exaustivamente educado, sempre pronto a nos servir, nunca profere um palavrão, nunca levanta a voz, nunca deixa de fazer a barba, o cabelo está sempre ajeitado, a roupa impecável, seu abraço é suave, seu beijo é ameno, sempre muito cavalheiro. Um príncipe. Responsável por uma eternidade de tédio!!!!!!!! Que mulher em sã consciência morreria por isso??? Eu certamente não...

Evidente que queremos nossos desejos atendidos, abraços carinhosos e educação ao nosso lado, mas um relacionamento que se preste precisa de muito mais do que isso! Às vezes até o oposto disso! O que as mulheres suplicam dos homens confusos é um pouco de paixão, de voracidade, de barba por fazer, de roupa amassada depois de um encontro furtivo no meio do dia, de um cabelo desgrenhado que espelhe uma personalidade forte, disposta a dizer ao mundo “Sou assim mesmo, não gostou, problema seu!”.

Elas querem o bandido que chega num lindo cavalo preto, usando uma máscara nos olhos, pronto para arrebatar seu coração, sem esperar por um convite ou por aprovação, usando de toda a força necessária, mas com o cuidado de deixá-la inteira para desfrutar do que virá depois.

Não queremos palavras meigas o tempo todo no ouvido, queremos um puxão de encontro ao peito dele, queremos um beijo desesperado que nos faça cair sem forças, queremos que ele nos segure firme antes de atingirmos o chão, com as pernas bambas. Queremos o roqueiro, o bandido esperto que consegue se safar, aquele que rouba dos ricos para dar aos pobres, redimindo-se no gesto nobre, mas sem deixar de lado a natureza contraventora, queremos o anti-herói, o vampiro, o garoto mau que debocha do mocinho enquanto ele tenta, em vão, vencer a batalha sem despentear um fio de cabelo.

Queremos o vassalo musculoso, o caçador que cerca a presa com a certeza de sua rendição e sem se preocupar se está agradando. Queremos o desafio de conquistar um homem que não viva para nos agradar, mas que depois de nos conhecer, passe a respirar em função disso.

O príncipe encantado já nasceu morto.

Aos poucos todas nós vamos percebendo isso... o que resta é torcer para que eles percebam também!


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