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domingo, 4 de setembro de 2011

Pequenas lembranças de um solitário

Carreguei a sua bagagem com uma tremenda falta de vontade. Eu não sabia o que o futuro reservava, senão agiria de outra maneira, será?
Aquela foi a última vez em que vi seus olhos escuros e o rosto cansado, marcado pela dor. O tempo passa e leva as melhores lembranças dos dias ensolarados, chuvas de granizo, abraços no portão, café com leite, pão e manteiga, a família reunida na sala de estar à luz de velas, pois a energia acabou. A biblioteca da mente está cheia de livros empoeirados e as traças fazem a festa.
Que caminhos a vida percorre não é? Em um dia, a família, no outro, a solidão de uma casa enorme. Os companheiros para toda hora ainda são os livros, filmes, a poltrona da sala e a cama. Mas, tem gente que mesmo com a família por perto ainda é sozinho, refugiado em seu quarto com um telefone no caso de alguém querer resgatá-lo do mundo interior. O preço do resgate é alto. Exposição. Ficar em lugares públicos apavora.
Alguns preferem sair do tédio de ficar em casa sozinho e enfrentam o mundo lá fora com coragem e determinação, pois são livres, pagam suas próprias contas, administram a vida, o trabalho, o lar...e escrevem a história mais bela de todas, a sua.
Talvez, o futuro não tinha que ser diferente e de qualquer maneira carregaria sua bagagem rumo ao infinito e transformaria meu destino.


Por Danielle Meniche Cruz

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