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sábado, 10 de dezembro de 2011

Infância X Transtorno Alimentar


Foto: Sapo Família

Cada vez mais surgem evidências de que os fetos são capazes de perceber e sentir as mais variadas influências, especialmente as emocionais, desde o útero.  Por esse motivo creio que seja importante a futura mãe planejar o período gestacional para que possam viver esse momento com tranquilidade, de plena aceitação e desejo pela futura criança. A “conversa” que a mamãe tem com seu bebê ainda no ventre é muito valiosa.
No útero materno experimentamos o mais absoluto sentimento de plenitude e prazer. Lá, os alimentos nos chegavam por meio do cordão umbilical, em um ambiente de aconchego e muito conforto. Os pais podem não se dar conta, mas a alimentação de seus filhos tem início bem antes da sua primeira mamada.
Nos primeiros meses após o nascimento o cérebro apresenta um desenvolvimento acelerado, com o aumento numérico de neurônios e suas conexões sinápticas por todo o sistema nervoso. Com isso o bebê é capaz de registrar informações de carinho, de amor, principalmente pelo contato físico através da pele. Quanto maior for o afeto por parte de seus pais, maior será o desenvolvimento das áreas cerebrais responsáveis pela captação e elaboração dos afetos positivos. Isso favorece a formação de uma boa autoestima. Sendo então importante para que a criança venha a ter uma boa imagem de si mesma, com isso poderá estabelecer relações afetivas de qualidade futuramente.
O período após o nascimento corresponde quando a criança começa a vivenciar suas primeiras dificuldade e frustações. Então ela irá experimentar o sentimento de raiva.  Devemos preparar nossos filhos para o mundo e ensina-los a lidar com a vida. No entanto, isso deve ser feito de acordo com sua idade e capacidade. Somente com suas próprias decepções ela irá aprender que suas necessidades não serão satisfeitas a todo o tempo.
As frustações infantis são essenciais, os pais não pode evita-las, fazem parte do desenvolvimento humano. O que os pais podem e devem fazer é fornecer explicações através de uma conversa amiga e carinhosa.
Segunda a autora do Livro Mentes Insaciáveis, Ana Beatriz Barbosa Silva, com sua prática clínica observou que adolescentes com transtornos alimentares como anorexia e bulimia  passaram por estas situações na infância e “criaram” interpretações distorcidas dos fatos ocorridos. E que além de terem uma autoimagem negativa, costumavam sere muito críticas e exigentes, menosprezando completamente suas capacidades. Se pudermos contribuir desde cedo para reduzir esses sentimentos distorcidos nessas meninas, estaremos fazendo um trabalho de prevenção.
As crianças possuem grandes possibilidades de imitar os pais, seja na forma de agir, seja na forma de se relacionar, ou ainda em determinados hábitos  como fumar, beber ou comer. Por isso é importante dar bons exemplos, conversar, brincar, contar de seus trabalhos para as crianças.
Quando a relação entre pai e mãe, casados ou separados, não é boa e ambos vivem destacando  defeitos um do outro, a criança pode ter sentimentos de culpa e menos valia. A culpa pode ocorrer, pois ao presenciar e ser envolvida nas brigas entre os pais, a criança sente como se ela tivesse ajudado na separação. A menos valia acaba ocorrendo em função de a criança saber que é fruto desse pai e dessa mãe, por isso mesmo ela deve possuir uma série de defeitos deles.
Sabendo que os mais diversos transtornos de comportamento, entre os alimentares, são influenciados pode diversos fatores, como os genéticos, os sociais e os culturais. É necessário saber que fatores biológicos como alterações hormonais e de determinadas substâncias produzidas pelo cérebro (serotonina, noradrenalina, endorfina, dopamina, ect.) também influenciam no desenvolvimento dos transtornos alimentares e muitas vezes não se sabe como isso acontece. Isso nos mostra como é limitada  a nossa capacidade de compreendermos a grande maioria dos adoecimentos comportamentais, corremos o risco de vivermos envoltos em sentimentos de culpa pelo adoecimentos de pessoas queridas. Isso é muito comum acontecer com os pais e até educadores. Por mais que sejamos cuidadosos em todos os aspectos com nossas crianças, as próprias características de suas personalidades colaboram para o desenvolvimento dos transtornos mentais, uma vez que umas se apresentam naturalmente mais sensíveis que outras para essa questão.
Aceitação:  é a palavra que deve nortear nossas ações quando queremos ajudar as pessoas com algum tipo de transtorno alimentar, pois muitas vezes as explicações serão ineficazes para justificar.

Bibliografia: Mentes Insaciáveis- Ana Beatriz Barbosa Silva

Raquel Fernanda acesse meu blog: Olhar de Mãe

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