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domingo, 4 de março de 2012

Biodiesel: Oportunidade de inclusão social com energia limpa e desenvolvimento econômico

O padrão e o perfil da matriz energética no Brasil e no mundo devem mudar por razões econômicas, ambientais e por esgotamento de fontes.  Em outros países, nos últimos anos ocorreram várias inovações e pesquisas objetivando a descobertas de novas fontes energéticas com resultados bastante promissores, inclusive, tendo em vista a substituição de parte significativa da energia atômica em razão de questão de segurança da população.
No Brasil também tem se buscado investir em pesquisas e na produção de novas fontes de energia, mesmo com o advento da produção do Pré Sal. Isso se justifica porque as necessidades de energia estão sempre aumentando em razão do progresso e do desenvolvimento e as fontes tradicionais, ao contrário, estão diminuindo ou tendem a diminuir.

Uma das áreas de energia que o governo brasileiro tem incentivado o seu desenvolvimento é a que se refere ao biocombustível, mas precisamente ao biodiesel.  A participação do setor público nessa área é fundamental tendo em vista as dificuldades inerentes a uma área que está se iniciando agora, as grandes diferenças de produtividades existentes entre as regiões do país, as questões de logísticas e, principalmente, a grande possibilidade de inclusão social e econômica de família de agricultores na produção de oleaginosas para a geração de biodiesel que será adicionado ao diesel. Isso se torna mais importante e significativo considerando que nos próximos anos o percentual de biodiesel que será acrescentado ao diesel passará dos atuais 5% para 7%, depois para 10% até chegar aos 20% em um período de mais ou menos uns dez anos.

As possibilidades de produtos que geram biodiesel são bastante grandes, elevando significativamente as opções para os trabalhadores familiares e empresas produzirem e obterem um rendimento bastante razoável. Apesar de que atualmente a soja responder por cerca de 80% da produção de biodiesel no Brasil, existem outros tipos de fontes possíveis de gerar esse tipo de combustível, cujas pesquisas estão bastante avançadas e, inclusive, com produção em andamento. Além de gordura animal que responde por mais ou menos uns de 15% da produção nacional de biodiesel, existe a possibilidade real da produção vinda de mamona, girassol, mandioca, entre outras oleaginosas.

Infelizmente, parece não ter havido um comprometimento do governo no sentido de efetivamente incluir o pequeno agricultor e o pequeno empresário nesse negócio que tende a crescer sistematicamente dada a maior demanda por esse produto nos próximos anos.  Atualmente, além de está concentrado em poucos estados, tem abrangido apenas algumas grandes empresas.  Em 2011, as 57 usinas instaladas no país produziram 2,55 bilhões de litros, sendo que essas usinas possuem capacidade instalada para produção de 6,01 bilhões de litros. No ano passado o país possuía 57% de sua capacidade instalada ociosa.  O Nordeste possui somente 12% da capacidade instalada de usinagem, embora seja lá onde se possa obter os melhores resultados em termos sociais de melhora de vida com a inclusão de famílias que vivem da agricultura de subsistência.

É chegada a hora do governo sair do discurso e partir para a prática com incentivos reais, a exemplo que ocorreu com o álcool. É premente a necessidade de milhões de pessoas saírem da esmola do governo representada pelo Programa Bolsa Família que constitui quase que a única fonte de renda de muitas famílias em muitos lugares do Brasil, principalmente do Nordeste. Essa é uma grande oportunidade do poder público de enriquecer esse projeto de mistura do biodiesel ao diesel em percentuais crescentes, e consequentemente aumentando nível de demanda desse produto, com uma forte inclusão social na qual milhões de agricultores familiares possam participar de forma efetiva produzindo matéria prima e recebendo pagamentos justos por seus esforços e trabalho. O nosso povo tem muita coragem de trabalhar e produzir, o que falta são incentivos, preparação e oportunidades. O setor público brasileiro tem obrigação de oferecer tudo isso a milhões de miseráveis que não querem mais do que isso.

por Francisco Castro

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