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quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Os cães e a política

Pense também no seu cãozinho ao votar - aproveite as eleições municipais para descobrir quais são as propostas a favor dos cachorros


Foto: Gretel Ensignia/Barcroft Media/Getty Images

Sim, até os cães ficam ainda mais espertos em anos como este, onde teremos eleições e o ambiente se torna quase religioso: sermões, exorcismos, santinhos de papel e promessas, muitas promessas. Partidos fazem coligações com partidos que nunca suportaram, anuncia-se o fim da violência e da miséria, todo mundo sai abraçando idosos, crianças e mendigos e, naturalmente, todo mundo é amigo e fã dos animais. Afinal, as muitas (e felizmente cada vez mais numerosas) pessoas que amam e protegem os bichos são muitas (e, felizmente, cada vez mais numerosas?) pessoas eleitoras em potencial...

Neste artigo não citarei, contra ou a favor, nenhum político em mandato ou em campanha; apenas darei um guia breve e geral de como vigiar políticos com relação a animais. Afinal, muitas vezes são verdadeiras, e no melhor sentido, as frases "o ser humano é um animal político" e "o ser humano político é um animal". E, como bem resumiu Fowler T. Braga Filho na revista Cães & Cia, "a proteção animal deve ser apartidária, mas jamais apolítica."

Quase 6 mil abrigos em potencial
O Brasil tem quase 6 mil municípios. Em cada um deles há pelo menos uma agência ou caixa eletrônico de determinado banco. Não seria bom se cada um tivesse também um programa de assistência, adoção, castração etc. a peludos? E, das cidades que têm tais projetos, quantos funcionam e são cumpridos efetivamente e não são mera fachada ou "meia-boca" só para Buldogue Inglês ver? A verba pública destinada a esses projetos está sendo usada como se deve? Dentre os candidatos a vereança e prefeitura, quantos estão cientes do problema de cães abandonados? Eles apresentam algum programa pró-peludos que vá além de eles aparecerem sorridentes em fotos ao lado de animais? Eles têm outros empregos ou pretendem viver apenas como mamíferos que mamam dos cofres públicos?

Pois é, não foi à toa que Johnny Nash cantou "há mais perguntas que respostas"... Mas que pelo menos as poucas respostas que aparecerem sejam boas e positivas. Se você mora em cidade pequena, é mais fácil monitorar políticos locais que estejam exercendo mandatos ou em campanha.

Fiscalizando os políticos
Ainda sobre cidades pequenas, nelas costuma ser possível abordar políticos em plena rua e falar com eles sobre suas campanhas e realizações. Além disso, as Câmaras Municipais têm páginas na internet, onde publicam os projetos de lei apresentados por vereadores e detalhes de quais foram aprovados e estão em andamento. Órgãos oficiais locais que cuidem da vigilância sanitária também são bons para se verificar a obediência às leis e o uso adequado da verba destinada a atender aos cães de rua.

Nunca é demais lembrar que, antes de tudo, devemos fiscalizar a nós mesmos. Se queremos eleger políticos conscientes e honestos, devemos ser conscientes e honestos nós mesmos. Cada povo tem o governo que faz por merecer, e só poderá reclamar da situação política quem, entre outras coisas, não joga lixo na rua, não falsifica carteira de estudante, dirige automóvel sem estar embriagado(a) e, claro, trata os animais com respeito e responsabilidade.

Enfim, devemos observar bem os candidatos e cobrar deles o que prometeram — ou mesmo o que não prometeram e que seja urgente, incluindo, obviamente, o problema dos bichos. Devemos apoiar candidatos que sejam amigos comprovados dos animais. Naquele Cachoeira (se ele fosse candidato) eu não voto, mas em cachorreira sim!

Por Ayrton Mugnaini Jr. | Vida de Cão

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