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quarta-feira, 3 de julho de 2013

Mensagem de um Ancião

Um semblante meigo, a pele enrugada, um sorriso cerrado, olhos brilhantes iguais aos de uma criança em uma manhã de natal. É assim que me vejo, ao olhar meu reflexo no espelho.

Vejo que o tempo passou, tudo esta mudado e eu ainda estou aqui como um jacarandá, forte, com as raízes fincadas no chão.


Porém sei que não sou mais uma criança, embora tenha a ingenuidade de uma. Setenta anos, tanto tempo se foi, quantas coisas vi e ouvi.
Pude ver a queda do muro de Berlim, ver a ascensão de uma nação e a queda de outra.

Vivi em um tempo mais simples, sem televisão ou computador, pude ter a honra de ouvir a voz de cantores consagrados no meu simples rádio, ir ao cinema e assistir clássicos como Bonequinha de luxo em uma tela sem cores, onde podia soltar a imaginação.

Posso me dizer feliz, pois pude ver o rei Pelé jogar, assim como pude assistir a luta de uma geração se tornar realidade e ver o fim de uma era, a era fria e sombria da ditadura.

Encontrei o amor, me casei, tive filhos, os criei, os vi crescer, seguir seu rumo, viver suas próprias vidas.

Enfrentei adversidades, tive medo, momentos de angustia, aprendi lições, fui feliz.

E agora estou aqui, preso em um tempo que desconheço. Desconheço os valores, desconheço o rumo que essa geração ira tomar, desconheço o que acontecerá com o mundo.

Por conta de minha idade e das transformações que estou vendo, todos pensam que estou com medo, mas pelo contrário estou disposto a enfrentar os novos desafios: aprender a usar o computador; entender a juventude e aprender a conviver com ela.

Todos acham que estou no fim de uma jornada, mas eu discordo. Ainda tenho muito que viver muito que aprender. Quero conhecer lugares, conhecer pessoas, pode não parecer mais ainda tenho sonhos e pretendo realizá-los.

O que importa não é a idade física e sim a idade da alma. Eu por exemplo, me considero um adolescente, cheio de inseguranças, ilusões e sempre disposto a mudar o mundo.

Muitos me perguntam se penso na morte ou se tenho medo dela, não sejamos hipócritas é lógico que tenho medo do desconhecido, mas não penso nela porque dentro de mim há muita vida e sei que no dia que ela chegar poderei partir sorrindo, pois dei o meu melhor, vivi cada dia como se fosse o ultimo, vivi ao extremo.

Mas não quero me preocupar com esse assunto chato agora. Como já disse, tenho muito que viver muito que aprender.

E por favor, não me chamem de senil, pois não sou invalido e muito menos uma vitima do tempo. Sou um jovem, um jovem de coração que ainda há de dar muita felicidade para seus familiares.




Por Michelle Franzini Zanin

Escritora e Jornalista | Autora do livro Vida, Ed Zerocriativa

Contato: michelleescritora@yahoo.com.br




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