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sábado, 24 de agosto de 2013

Escoliose uma doença silenciosa


Uma doença silenciosa, que atinge aproximadamente 2% da população mundial, a escoliose está entre os males do século, sua incidência cresce anualmente, chegando a ser comparada com índices de diabetes e câncer.

Sua causa e tratamento geram controvérsias, é fato de que se não for tratada a escoliose pode levar o paciente a óbito, pois acaba por interferir no bom funcionamento de órgãos vitais como, por exemplo, o coração e o pulmão, mas se for tratada corretamente, a escoliose pode ter cura levando o paciente a ter uma vida normal novamente.




Para esclarecer as dúvidas a respeito da escoliose e me inteirar sobre os atuais tratamentos, conversei com o ortopedista, traumatologia e cirurgião de coluna Dr Lin Yu Chih que atua no Hospital Santa Isabel e no Hospital Ipiranga, em São Paulo.

Confira abaixo a entrevista com o Dr Lin Yu Chih e esclareça suas dúvidas sobre o assunto.


1 - O que é escoliose?

Quando observamos um paciente pelas costas, a coluna vertebral não apresenta desvios laterais. Chamamos de escoliose os desvios laterais da coluna. Ocorrem frequentemente desvios rotacionais, deformidades vertebrais com acunhamento e escorregamento vertebral o que caracterizamos de escoliose estruturada. A grande maioria das escolioses são não estruturadas, associadas a desvios posturais e fatores periespinhais como bacia e membros inferiores.

2 - O que provoca a escoliose?

A causa é muito variada. As causas conhecidas mais frequentes são: congênitas, onde as vértebras não têm a característica morfológica normal, hemivértebra ou fusão vertebral. As escolioses neuromusculares, associadas a doenças neurológicas bem definidas como paralisia infantil e paralisia cerebral e distrofias musculares. As escolioses metabólicas, como escoliose associado à osteoporose e osteogêneses imperfecta. Escolioses antálgicas, associados à infecção ou tumor ósseo ou síndromes compressivas nervosas. Escolioses associados a síndromes genéticas como Ehler-Danlos (Síndrome de frouxidão cápsula ligamentar), Síndrome de Marfan, Síndrome de Rett e outros.

A maioria dos casos de escoliose é considerada idiopática, ou seja, sem causa bem definida. Corresponde por 70% a 80% dos casos. Tem frequência 8 vezes maior em meninas que em meninos. Atualmente, com o avanço do mapeamento genético do ser humano, os estudos estão avançando muito para descoberta da causa associado a defeito genético familiar, onde 40% tem associação familiar.

3 - Qual a diferença de lordose, cifose e escoliose?

Enquanto na escoliose o desvio da coluna está no plano coronal, onde falamos de lateralidade direita ou esquerda, relacionado à convexidade da curva, na lordose e cifose o plano de desvio da coluna está no plano sagital, em relação à convexidade da curva lombar, geralmente para frente, falamos de lordose, enquanto que para a convexidade da curvatura para trás denominamos de cifose.

4 - O que devemos fazer para evitar problemas na coluna?

Atividade física moderada, evitar excessos de carga no dia a dia, boa atenção em relação à ergonomia, sentado no trabalho e em pé no trabalho, evitar sobrepeso, ter uma boa alimentação. Maior atenção em relação às características familiares. Se tiver histórico de dor lombar na família ou cirurgias de coluna, ou deformidade da coluna como escoliose e lordose a atenção deve ser redobrada.

5 - A partir de que grau de escoliose é necessário à intervenção cirúrgica?

A indicação de cirurgia é muito variável. É muito considerado o prognóstico evolutivo e os fatores de risco maiores à progressão da deformidade ou não.

Em geral, curvas acima de 40 graus com risco de progressão tem indicação de cirurgia. Nas doenças conhecidas com risco de piora da deformidade, a indicação de cirurgia pode ser adiantada como nos casos de paralisia cerebral e infantil.
Pacientes em acompanhamento com progressão da curva maior que 10 graus podem ter indicação de cirurgia, em qualquer momento, mesmo que seja anos após o tratamento inicial.

6 - Quais são os tratamentos de escoliose existentes atualmente?

Podem variar desde acompanhamento periódico em curvas abaixo de 20 graus para observar se há uma progressão da curva, a cirurgias de correção da escoliose associado à fixação com parafusos pediculares.

O uso de colete está indicado em crianças em fase de crescimento com curvas entre 20 a 40 ou 45 graus e curvas flexíveis, ou seja, na inclinação lateral reduz mais que 50% da curva na posição em pé.

Nas curvas acima de 45 graus já há indicação de cirurgia, o colete não tem eficácia comprovada. As curvas acima de 55 a 60 graus já são consideradas graves, necessita muitas vezes de procedimentos de correção mais agressivas com toracotomia, osteotomia vertebral, artrodese anterior e posterior associada e, mesmo assim, a deformidade residual pode ser grande.



Por Michelle Franzini Zanin

Escritora e Jornalista | Autora do livro Vida, Ed Zerocriativa

Contato: michelleescritora@yahoo.com.br

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