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domingo, 25 de outubro de 2015

Crédito Consignado: ajuda ou atrapalha?


A resposta vai depender do perfil da pessoa e de maneira como ela administra suas finanças.

É preciso tomar muito cuidado, com a taxa de juros cobrada e com as tentativas de vendas casadas




Sabe aquela despesa extra que aparece no orçamento? É bem nessa hora que muitas pessoas recorrem às opções de produtos que os bancos oferecem, em troca de juros a serem pagos a perder de vista. “O ideal seria que os brasileiros conseguissem arcar com as despesas necessárias para o seu sustento, utilizando seus próprios salários ou aposentadorias, mas com a renda que eles recebem isso, se torna quase impossível para a maioria da população”, lamenta Wellington Leonardo da Silva, economista e membro do Conselho Regional de Economia do Rio de Janeiro. A situação é ainda mais delicada quando se menciona aposentados e pensionistas que, muitas vezes, têm a renda menor do que a tinham quando ainda atuavam no mercado de trabalho.


CUIDADOS NECESSÁRIOS

É claro que as vantagens do crédito consignado são atraentes, afina, a liberação do dinheiro é rápida e os juros são razoáveis --- 27,2% ao ano. Os juros do crédito consignado são menores do o crédito pessoal que podem chegar a 100% ao ano, e as exigências deste tipo de empréstimo são mínimas.

Mas, a julgar pelo aumento da taxa de inadimplência do grupo de pessoas com mais de 61 anos que variou de 11,8% para 12,2% --- conforme os dados do Serasa Experian ---, os idosos tem dificuldade para pagar suas dívidas devido às dúvidas que eles ainda possuem com ralação às regras de financiamento ou devido aos riscos que as parcelas feitas em longo prazo podem trazer, pois estas são descontadas em folha e o período de quitação deve ser de no máximo 72 meses. Sendo assim, o idoso deve se lembrar de que sua renda diminuirá e, antes de recorrer ao empréstimo, deve considerar os imprevistos e dívidas que, porventura, possam acontecer simultaneamente.

“É preciso tomar muito cuidado, principalmente, com a taxa de juros cobrada e com as tentativas de vendas casadas dos produtos, feitas pelos bancos, dentre elas: a venda de seguros, de títulos de capitalização, entre outros”, alerta o economista. Por isso, é preciso planejar como serão administradas as demais despesas, enquanto o pagamento da linha de crédito estiver ocorrendo; não comprometer mais de 25% da renda mensal com o empréstimo e sempre que possível procurar abater as parcelas para que os juros sejam gradualmente reduzidos. E, se mesmo assim, você perceber que os pagamentos das parcelas estão fugindo do controle. Não hesite em recorrer ao banco para renegociar essa dívida.


SABENDO USAR, NÃO VAI FALTAR

A aposentada e pensionista Josefa Cerdan 66 anos, é um típico exemplo de tomando essas precauções, o crédito consignado pode ser uma excelente saída. Ela já contratou mais de quatro empréstimos sem nunca ter perdido o controle dos pagamentos. “Da última vez que contratei eu queria pintar minha casa, trocar a geladeira e o gabinete da pia. Acho que toda vez que se faz um financiamento desses é preciso avaliar se o gasto não está sendo com bobeiras e se, realmente, vale a pena. No meu caso, se for para pagar uma dívida que seja a partir de R$ 3000 ou comprar algo à vista, vale sim”, esclarece.

E quando o assunto é realizar o empréstimo para parentes ou amigos em seu nome, tanto ela quanto o economista são categóricos ao afirmar que é melhor repensar sobre o caso. “Nunca precisei fazer para ninguém da família, mas se isso acontecesse, acho que faria no máximo para o meu filho, dependendo da urgência, porque é a única pessoa em que confio para isso”, afirma Josefa.

Pelo sim, pelo não, a aposentada deixa a dica fundamental para que o empréstimo consignado se torne uma ajuda e não uma dor de cabeça: “Recomendo sim, desde que a pessoa tenha limite e controle, já que a renda diminui durante os pagamentos das parcelas. Nestas horas, o fundamental é avaliar se, realmente, o destino desse dinheiro é importante, sem perder de vista a sua realidade financeira”.


Por Elaine Medeiros | Fonte: Ponto de Encontro - a revista da Drogarias Pacheco

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